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Itaquá | No escuro
» Publicada em 07|02|10
Itaquá fica 26 horas sem energia elétrica
Jorge Moraes
Açogueiro disse que jogou mais de cem quilos de carne fora
Jamile Santana
De Itaquá
As 26 horas sem energia elétrica na rua Gonçalves Dias, no Parque Marengo, em Itaquá, quase tirou a vida de Luiz Maurício Dantas, de 53 anos. Por causa da insuficiência respiratória crônica e esclerose lateral amiotrófica, ele respira com a ajuda de aparelhos.
Na última quinta-feira, após a forte chuva, a rede elétrica foi atingida e houve interrupção no fornecimento em sua casa. Para salvar a vida do marido, Edna dos Anjos Souza o levou para uma rua em que havia luz e ligou os aparelhos. A Bandeirante Energia consertou a rede na manhã de ontem.
Edna contou que não sabe o que é dormir tranquila há três dias. Desde as 18 horas da última quinta-feira, quando o fornecimento de energia foi interrompido, ela teve de dar um jeito de manter os aparelhos funcionando. "O equipamento está ligado a um no break, ou seja, quando a energia acaba, fica algumas horas funcionando. Mas dessa vez, como ficamos muito tempo, tive de sair correndo para encontrar um lugar com luz", contou.
Dantas só respira sozinho por, no máximo, cinco minutos. "Depois disso, ele já começa a ficar muito cansado, começa a engasgar e é perigoso morrer", comentou a esposa.

Na madrugada da última sexta-feira, Edna pediu a ajuda de um vizinho para levar o marido até uma rua em que tivesse energia. "Ligamos uma extensão da casa de uma vizinha até a rua, e meu marido ficou das 2 às 8 horas dentro carro. Só depois, quando a energia voltou, o levamos para casa. Se demorasse mais, não sei o que faria, como poderia salvar a vida dele".

Prejuízo no comércio
O comércio da rua Gonçalves Dias também foi afetado pela falta de energia. O açougueiro Artur Leite dos Santos teve de desembolsar R$ 2 mil para comprar carnes novas. Isto porque, após 26 horas sem ter como ligar o freezer, ele perdeu mais de cem quilos de carne. "Hoje, estou jogando tudo fora, está tudo podre. Também perdi as cervejas e os refrigerantes. Entendemos que a chuva não é culpa da Bandeirante, mas é um absurdo demorar tanto para resolver o problema".

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