Quem ainda depende dos telefones públicos em Mogi tem de fazer uma verdadeira peregrinação para conseguir usar algum
Guilherme Peace
De Mogi
Encontrar um telefone público que funcione está cada vez mais difícil em Mogi. Esta é a reclamação de quem precisa do orelhão e acaba tendo de andar muito para conseguir fazer um telefonema. O problema ocorre por conta do vandalismo. A cada esquina, é muito comum encontrar o telefone público depredado e fora de funcionamento. Em alguns casos, o transtorno é ainda maior. A ausência de orelhões e os poucos que existem fazem com que os moradores de bairros mais distantes do centro precisem se locomover até a região central apenas para fazer uma ligação.
É o caso da corretora de imóveis Kátia Rejane de Souza, de 39 anos. Ela mora no Rodeio e precisa andar pelo menos 15 minutos para encontrar um orelhão funcionando. "Só existem três perto da minha casa, mas todos estão destruídos". O problema é quando chove, pois o orelhão mais próximo, excluindo os três citados, para de funcionar. "Se for urgente, preciso ir até o centro". A corretora tentou usar dois orelhões na Praça da Matriz, mas ambos estavam quebrados. Na terceira tentativa, ela conseguiu. "O pior é que a Telefônica é logo ali, do outro lado da rua". Kátia poderia usar o telefone celular, mas o público continua sendo a opção mais econômica.
Outro problema é o grande número de adesivos de propaganda erótica, oferecendo serviços de garotas de programa, colados nos aparelhos. A Assessoria de Imprensa da Telefônica informou que a empresa faz a manutenção e higienização de mais de 250 mil telefones públicos espalhados por 622 municípios do Estado de São Paulo. Segundo a empresa, 25% dos equipamentos são depredados todos os meses. Se a Telefônica parasse de fazer a manutenção, em quatro meses não haveria um único aparelho em condições de uso em todo o território paulista. De acordo com a assessoria, a empresa gasta R$ 1,6 milhão para recuperar orelhões danificados todos os meses.
A Telefônica afirmou também que 99,5% dos pedidos de reparo dos clientes são atendidos em até 8 horas, o que supera a meta exigida pela Anatel.
A única informação fornecida pela empresa sobre os orelhões de Mogi é que atualmente a cidade conta com 2.152 equipamentos instaldos.