Novo técnico do Corinthians começa a treinar equipe com estilo diferente do seu antecessor Mano Menezes
Com menos de uma semana no novo emprego, Adílson Batista já trata de dar o seu estilo ao dia a dia do Corinthians. E primeiro onde se percebe a diferença entre ele e seu antecessor é no jeito de treinar a equipe.
Depois de dividir o campo no dia anterior e delimitar claramente o espaço de defensores, meio-campistas e atacantes, ontem o Corinthians aprendeu uma nova forma de jogar futebol brincando e, ao mesmo tempo, se aprimorar tecnicamente - ao menos na teoria.
O técnico dividiu o elenco em dois times. Como no dia anterior, sem distinção entre prováveis titulares e reservas. Então, distribuiu coletes para um dos grupos. Até aí, nenhuma novidade. Mas logo depois é que as inovações começaram.
Num espaço de cerca de dois terços do gramado do Parque São Jorge, foram distribuídos cinco golzinhos, daqueles típicos de peladas sem goleiro entre garotos nas ruas. Pares de cones laranjas, parecidos com aqueles para demarcação no trânsito, serviam como as traves.
Bola rolando, e o objetivo, claro, era fazer gol. Mas valia fazer em qualquer uma das balizas. Quem estava com a bola trocava passes (só dois toques por jogador) até abrir espaço para chutar entre os cones. O outro time bloqueava para tentar o desarme e evitar o gol.
A cada gol ou tentativa frustrada o exercício parava até que um dos auxiliares técnicos de Adílson rolasse a bola para o time que antes estava defendendo.
O exercício teve lances curiosos. Ronaldo, por exemplo, muitas vezes ficava como o principal defensor quando seu time, o sem coletes, defendia. Bruno César, bem a seu estilo, tentou um chute "de longe" mas mandou a bola para mais longe ainda. Levou bronca de Elias e respondeu dizendo ao colega que eram "só dois toques".
Depois de pouco menos de uma hora do treino - que durante a Copa Dunga também aplicou na seleção brasileira -, Adílson passou a exercícios mais tradicionais. Comandou um treino de defesa para afastar cruzamentos da área. Apesar de menos tradicional do que um coletivo ou um "rachão", o treino de Adílson parece ter sido bem compreendido por seus jogadores. Ao ser questionado sobre a utilidade do exercício, Bruno César elogiou e explicou: "Eu já tinha feito isso no Santo André, com o Gallo. Isso procura compactar o time. Sempre tem que ter dois ou três marcando o golzinho. A gente fica mais perto um do outro pra tocar a bola."