Denúncias contra a empreiteira dos irmãos José e Carlos Cardoso foram desconsideradas pelo Gaeco
Lixão: Situação da Pajoan virou inquérito no Ministério Público, pois Gaeco não considerou caso como de crime organizado
Natália Ramos
De Itaquá
O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) não caracterizou o caso Pajoan como criminoso, ao contrário do que acusou o delegado do Instituto Latino-Americano de Proteção Ambiental (Ilapa), o advogado Gustavo Ferreira.
Por esta avaliação, as denúncias foram levadas ao Ministério Público de Itaquaquecetuba, onde foi instaurado inquérito. Com isso, as informações serão investigadas pela promotora Tatiane Barreto Serra apenas se a operação do aterro prejudica ou não o meio ambiente.
Em agosto, o delegado do Ilapa entregou documentos Gaeco, que, segundo ele, continham no conteúdo provas de uma suposta relação "mais próxima" entre os donos da empreiteira Pajoan e a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), que liberou o funcionamento do aterro até 2011.
Ferreira vem lutando há algum tempo para a desativação do aterro, por enquanto, sem sucesso. Para ele, existem "exclusividades" para a empreiteira dos irmãos Cardoso, como a liberação para funcionar, pois outros aterros no Estado estão na mesma situação que o da Pajoan que está prestes a atingir a cota de 755 metros de lixo, porém, correm o risco de ser interditados. "A lei diz que com três autuações sobre mesmo problema, o aterro tem de ser interditado. A Pajoan já recebeu mais do que isso, sem falar na mais grave, quando recebeu lixo vindo de fora do Alto Tietê e continua sem nenhuma punição. A análise é política e não técnica".
O caso foi levado ao Gaeco após o dia 22 de julho deste ano, quando a Cetesb liberou a Pajoan para manter as operações em seu aterro até o dia 18 de janeiro de 2011. A licença de operação a título precário foi emitida pela companhia depois que os donos do empreendimento apresentaram um estudo comprovando que a pilha de lixo não havia atingido o limite permitido.
O advogado afirma que irá intensificar as acusações que apontam prevaricação dos responsáveis da Cetesb em relação a este caso. Ele garante que ainda têm mais provas, além das entregues há dois meses. "Não levei todo o material, pois achei que apenas com aquilo seria possível provar que existe o interesse político", explica Ferreira.